Setor da borracha está em crise com queda de preço do coágulo

Em janeiro, o preço do coágulo de borracha vendido pelos produtores às usinas estava sendo de 50% do valor do custo de produção do material.

Estes valores praticados, que já estavam trazendo prejuízos ao setor da cadeia produtiva da borracha, somaram-se agora a um outro fator responsável por aumentar ainda mais as dificuldades: o excesso de chuvas.

A temporada de chuvas está deixando a casca das seringueiras úmidas e o sangrador não consegue os resultados esperados no corte. Além disso, com muita chuva, a água acaba indo parar nos recipientes e diminui a qualidade da borracha extraída.

Imagem: Reprodução/TV TEM/G1

O preço do quilo do coágulo foi de menos de R$ 3,00

Nos últimos anos o setor da heveicultura vem enfrentando dificuldades e acumulando prejuízos.

O preço do quilo vendido às usinas não estava chegando a R$ 3,00 para poder competir com o montante cobrado pela borracha importada, principalmente da Ásia, que já chega no Brasil com valores menores de custo quando comparados com a nacional.

Para minimizar o problema, produtores e sangradores propõem um subsídio do Governo Federal a fim do preço do quilo ser negociado por um valor mínimo de R$ 4,46, preço já estipulado pela Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab.

Competição por preço da borracha é injusta para os produtores brasileiros

Para continuar no mercado, os produtores brasileiros são obrigados a concorrer com o preço praticado pelos produtores de outros países, principalmente dos países asiáticos.

Acontece que devido a fatores socioeconômicos, a borracha asiática é mais barata. Isso porque, nestes países, o látex é produzido em plantios não regulamentados, sendo em sua maioria em áreas cultivadas por pequenos produtores, nas quais não é ilegal desmatar para o plantio de seringais.

Outra questão é que o uso de mão de obra análoga à escravidão junto com exploração de trabalho infantil são práticas ainda vistas nestes plantios.

Aqui no Brasil, a área de seringal não pode avançar em todo o terreno, os produtores precisam respeitar 20% de área nativa conservada. Além disso, os trabalhadores são protegidos pelos direitos garantidos pela CLT (Consolidação das Leis de Trabalho).

Se por um lado, estas medidas protegem trabalhadores e o meio ambiente, por outro, encarece a borracha brasileira que acaba participando involuntariamente desta competição injusta por preço.

Taxa de importação de pneus de carga precisa subir

Para piorar esta situação, a taxa de importação de pneus de carga continua zerada desde 2021, afetando negativamente toda a cadeia produtiva.

Grande parte da borracha produzida no mundo serve para produção de pneus, por isso a importância do governo em atender ao pedido do mercado interno e elevar a taxa de importação de pneus de carga.

Com a taxa de importação mais alta, os produtores conseguem maior equivalência nos preços e podem continuar produzindo e vendendo por valores adequados à manutenção dos seringais.

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Com informações do G1

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