Produção nacional de borracha busca recuperação

Goiás destaca-se como um dos principais produtores de borracha natural do Brasil, liderando a produtividade mundial na extração de látex. Entretanto, a heveicultura nacional enfrenta desafios decorrentes de uma crise que impactou seriamente a produção em outros estados. Essa crise teve origem em um período em que houve redução do imposto sobre a importação de látex e isenção tributária para importação de pneus, levando a uma significativa queda na cotação da matéria-prima.

Latex sendo extraído de uma seringueira. Foto: Getty Images

Em janeiro de 2021, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Economia zerou o imposto sobre a importação de pneus para veículos de carga, que era de 16%, devido à paralisação da produção durante a pandemia. O imposto sobre a importação de borracha natural também foi reduzido, de 5% para 3,2%. Essas medidas resultaram em um aumento expressivo da participação de pneus importados no mercado brasileiro, passando de 20%, até 2021, para aproximadamente 56% em 2023.

Como consequência, o mercado interno, que costumava consumir 80% dos pneus fabricados no Brasil e 20% de importados, passou a consumir 58% de importados e 42% de fabricados no Brasil em 2022 e 2023. Essa mudança drástica reduziu os preços da borracha, que caíram de cerca de R$ 6 por quilo de coágulo na safra 2021-2022, para entre R$ 2 e R$ 2,20 na safra 2022-2023, valor insuficiente para cobrir os custos de produção.

Cenário econômico e político

A mudança de governo e a expectativa de aumento do imposto para importação fizeram com que as compras de pneus importados disparassem, resultando em um acúmulo de estoques no país. Isso levou as indústrias de pneus a reduzirem significativamente as compras de borracha das usinas de beneficiamento, causando um desequilíbrio na demanda pelos produtos brasileiros.

Em 15 de agosto de 2023, o imposto de importação da borracha natural foi aumentado para 10,8% e o tributo sobre a importação de pneus voltou para 16%. Essa medida ajudou a frear as importações e iniciou uma recuperação nos preços. No entanto, o volume acumulado de produtos importados gerou um desequilíbrio, afetando a produção de pneus nacionais e o consumo da borracha brasileira.

Essa situação impactou principalmente os seringais paulistas, que produzem 60% do volume nacional, mas com produtividade mais baixa em comparação com Goiás. Em São Paulo, muitos seringais foram erradicados devido à queda nos preços, enquanto em Goiás, onde a produtividade é maior e a mão de obra é registrada, os seringais conseguiram se manter.

Com informações d’O Popular.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *