Pesquisadores criam luva cirúrgica hipoalergênica

Pesquisadores da Universidade de Brasília acabam de desenvolver um novo tipo de luva cirúrgica hipoalergênica, por meio do chamado Projeto Látex-Tan. Com uma tecnologia inovadora, o produto não leva amônia em sua composição, mesmo este elemento sendo muito usado após a extração do látex durante sua estabilização, e sim o tanino.

O projeto foi coordenado pelo professor Floriano Pastore, do Instituto de Química (IQ), a partir de pesquisas iniciadas por ele ainda em 2013. A seguir, conheça mais sobre esse novo tipo de luva e suas questões sustentáveis!

Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB

Luva hipoalergênica segue em experimentação

Em substituição à amônia, a nova luva possui um efeito hipoalergênico do látex com o uso do tanino, sendo este um dos motivos pelos quais ainda está tendo seu uso testado em humanos. Os primeiros experimentos, inclusive, já ocorreram com sucesso na Inglaterra, Estados Unidos e no instituto de pesquisa científica em Campinas.

Além disso, uma pesquisa de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Química também pretende testar a nova luva em 2024. A ação ocorrerá no Laboratório de Dermatologia do HUB, de acordo com a estudante Nathália Shinzato, que segue à frente do projeto.

“A gente faz por meio do teste de contato ou o patch test, que é aquele teste que é feito em clínicas de alergia. É colocar o material em contato com a pele de um voluntário e verificar clinicamente, visualmente e em coletas de sangue. A gente realiza as coletas para ver se tem alguma reação adversa no sangue”, detalhou ela, que compõe grupo de 14 pesquisadores envolvidos no Látex-Tan.

Novas luvas solucionam velhos problemas

O uso do tanino na confecção das luvas hipoalergênicas receberam patenteamento da UnB no Brasil, na Indonésia e na Índia.

“Nós percebemos que o látex se degrada com extrema rapidez. E o látex que a gente estava tratando com tanino não estava apodrecendo”, afirmou o professor Pastore, idealizador do produto.

A substituição da amônia pelo tanino, cabe ressaltar, pode ser considerada um grande avanço pois, por ser uma substância natural, ela atua com mais eficiência ao proteger as proteínas do látex causadoras de alergias, além de ter um caráter mais sustentável e seguro para uso entre quem trabalha na extração do látex.

Outro fator importante envolve o fato de que entre 4,3% da população em geral e 72% de grupos específicos podem ter alergias associadas ao látex em todo o mundo. Além do mais, a amônia pode causar a longo prazo prejuízos, como cegueira, à saúde de quem trabalha na extração das seringueiras.

“Amônia é conservante universal do látex há mais de cem anos. Quem trabalha todos os dias com amônia vai ter problemas. Ela entra pela corrente sanguínea, entra facilmente na célula e começa a fazer seu trabalho de degradação cumulativa da célula”, explicou Pastore.

Como são produzidas?

Sabendo dos benefícios da luva cirúrgica hipoalergênica, vamos detalhar um pouco como é feita sua fabricação. Inicialmente, um banho de coagulante é dado aos moldes de porcelana no formato de mãos para que, depois, possam ir à secagem em uma estufa de 110°C e serem imersos em um recipiente junto com o látex.

Feita a secagem, o produto é retirado da estufa e recebe uma passagem de talco até serem desenformados dos moldes. Também é feita uma verificação a fim de constatar a ausência de quaisquer furos nas luvas.

Apesar das luvas já fabricadas estarem restritas para serem usadas nos testes, a perspectiva é ampliar sua comercialização ao público em geral nos próximos anos.

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