Mochila ganha valor com o látex extraído por indígenas

A Bossapack, uma startup do Rio de Janeiro, redefine o uso do látex amazônico ao transformá-lo em mochilas estilosas com pinturas indígenas. Este empreendimento vai além da moda, capacitando comunidades locais a valorizar os recursos naturais da floresta.

Criadas pelas mãos habilidosas das famílias Xipaia na Terra do Meio (PA), as mochilas não só preservam 2 mil hectares de floresta, mas também elevam a renda obtida pelo látex em até 13 vezes quando comparado ao seu valor original.

Atualmente, a empresa oferece 50 variações dessas mochilas eco-friendly em seu e-commerce e lojas parceiras, cada uma com uma etiqueta de QR code que rastreia a origem sustentável do látex.

Com planos de expandir sua produção para outras comunidades indígenas, a startup segue um modelo de negócio escalável e sustentável, aprimorado através do programa de aceleração Sinergia da Fundação Certi, destacando o látex como um vetor de inovação e preservação ambiental.

Foto: Bossapack/Reprodução

Sinergia Investimento: impulsionando a bioeconomia na Amazônia

A segunda edição da iniciativa, focada na qualificação de pequenos negócios de bioeconomia, está em pleno andamento. Com 110 startups candidatas, 20 delas serão selecionadas para participar das atividades, com destaque para os setores de alimentos, bebidas e cosméticos.

A abordagem é transformar produtos da biodiversidade, agregando valor por meio de tecnologias que impulsionam a competitividade e criam condições favoráveis para essa nova economia.

O cenário aquecido dos bionegócios na Amazônia é um indicador relevante. Embora haja grande potencial de talentos, o conhecimento muitas vezes não se traduz em negócios viáveis para a sociedade.

Para preencher essa lacuna e aproximar os setores da indústria e da floresta, a instituição lançou recentemente o programa de corporate venture capital Sinergia Investimento. Seu objetivo é fortalecer a trajetória de negócios baseados em inovações demandadas pelas empresas investidoras, com potencial de expansão para outros clientes no mercado.

Como surgiu o projeto de mochilas sustentáveis

Após uma passagem pela antiga Mesbla e pesquisas sobre moda surfwear na Califórnia (EUA), um economista brasileiro concebeu o projeto de mochilas alternativas às asiáticas, que dominavam o mercado nacional.

Lançada em 2016, a marca tinha o intuito de explorar o conceito de brasilidade, utilizando materiais reciclados e grafismos únicos. Foi então que surgiu um projeto apoiado por uma antropóloga: as mochilas seriam pintadas à mão diretamente por indígenas, usando pigmentos nativos.

Com a colaboração da empresa, jovens das comunidades aprenderam a tecnologia para aplicar látex em tecido de algodão, e a produção das mochilas passou a ser realizada nas aldeias.

Em apenas dois anos, o negócio quadruplicou, chegando a 500 peças produzidas nas comunidades até 2023, durante a safra (junho a novembro). A perspectiva é dobrar o fornecimento por meio de inovações no método de vulcanização do látex, resultando em ganhos significativos de eficiência e produtividade.

Essa iniciativa não apenas valoriza a cultura indígena, mas também contribui para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Continue aqui no blog da Rubberline e fique por dentro das últimas notícias sobre o mercado de extração de látex e suas inovações!

Com informações do Valor Econômico.

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