Indústria nacional é prejudicada por alíquota zero de importação de pneus

A Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do Ministério da Economia, aprovou em 2021 a alíquota zero de importação dos pneus de veículos de carga.

Tal medida, que até então deveria ser provisória, continuou em vigor até dezembro de 2022, acarretando retração na indústria nacional em um efeito dominó que atingiu os produtores de látex até chegar nos caminhoneiros.

Isso porque, de acordo com dados informados e calculados pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, a ANIP, o custo do pneu nacional para rodar 300 mil km é de R$ 5,8 mil, enquanto o dos importados é de R$ 9 mil, pois o produto internacional dura menos e permite menos reformas.

Outra estimativa da ANIP, que realizou cálculos com base em metodologia da Agência Nacional de Transportes Terrestres, ANTT, indicaram que o produto importado custa R$ 0,35 a mais por km rodado ao caminhoneiro.

O presidente da ANIP, Klaus Curt Müller, afirmou: “O preço pode até ser menor na largada, mas no médio prazo o importado onera mais o caminhoneiro”.

Indústria nacional é prejudicada por alíquota zero de importação de pneus

Imagem: Getty Images

Brasil deixou de ser exportador para ser importador de pneus

Com o imposto zero de importação, a indústria nacional fica diante de uma concorrência desleal e, neste cenário, passa a compensar mais importar pneus do que produzí-los no Brasil.

O fato é que a importação do produto passou de 150 mil pneus por mês, antes da política de imposto zero de importação, para 475 mil por mês.

A borracha natural (produzida a partir do látex) também já sofre perda no valor de oferta ao mercado. Ao todo, o quilo do produto teve uma queda de quase 29% no preço.

Queda no consumo interno da borracha natural

Os pneus de veículos de carga consomem bastante borracha natural em sua produção. Com a importação de pneus, o volume de demanda por borracha no mercado interno cai, prejudicando o escoamento, especialmente ao Estado de São Paulo, que é o maior produtor de látex do Brasil.

“Se nada for feito, perderemos essa indústria. Hoje, (a medida adotada pelo governo) já gera efeito nocivo no mercado de borracha natural, na produção de borracha no campo brasileiro, porque corta volume de compra do mercado interno, já que ela está parando de produzir pneu aqui para importar”, afirma o diretor executivo da Associação Brasileira Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor), Fernando Guerra.

Impactos chegam ao meio ambiente

Por fim, mas não menos importante, é o impacto que o aumento na importação de pneus causa ao meio ambiente.

Os pneus produzidos no Brasil geram duas carcaças a cada 300 mil quilômetros rodados, todas elas são recolhidas com base em logística reversa. O país, inclusive, é considerado referência em logística reversa de pneus.

Em termos de comparação, os pneus importados produzem quatro carcaças a cada 300 mil quilômetros rodados, sendo que parte do descarte vai para o meio ambiente, não cumprindo leis brasileiras de destinação de pneus que não podem mais rodar e também prejudicando nos cuidados com o meio ambiente.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama):

“O não cumprimento da destinação de pneus inservíveis em sua totalidade por parte dos importadores faz com que o passivo ambiental acumulado seja de mais de 300 mil toneladas no Brasil, peso equivalente a 37,5 milhões de pneus aro 15”.

Com informações Correio Popular.

 

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