Borracha natural: da extração do látex da seringueira à comercialização

A borracha natural é uma matéria-prima usada na fabricação de vários produtos, como brinquedos, luvas de borracha, pneus e, até mesmo, utensílios de cozinha. O material para a produção desses itens vem da seringueira, árvore nativa da Amazônia, de onde é extraído o látex, que dá origem à borracha natural.

No Brasil, a extração do látex teve uma grande relevância econômica entre 1880 e 1910, suprindo somente um terço das necessidades do país durante o ciclo da borracha, segundo Maria do Pilar das Neves, pesquisadora da Embrapa – Amazônia Oriental (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

“O Brasil é carente de borracha, pois ela está entre os itens mais importados. Para se ter uma ideia, são mais de 400 produtos que têm como base a borracha natural na sua confecção, incluindo pneus de carro e de avião, cuja composição exige um determinado percentual de látex.

Borracha natural: da extração do látex da seringueira à comercialização

Imagem: Pixabay

O objetivo é garantir elasticidade, o que não ocorre com a borracha originada do petróleo, por exemplo. Além disso, o látex serve de insumo na fabricação de brinquedos para bebê e de produtos voltados a pessoas alérgicas, apesar da borracha natural causar reações na pele de algumas pessoas”, ressalta a pesquisadora.

Com o passar dos anos, a produção de látex foi expandindo a outras localidades, abrangendo os estados de São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Goiás, entre outros.

“Por hectare, pode haver de 400 a 500 seringueiras, plantadas com distância de 8 metros entre si e em fileiras afastadas por 2,5 metros. Nesse espaço, após um período de oito anos do plantio das mudas, é possível produzir de 1,5 a 2 toneladas de látex por ano”, explica Maria.

Mas, como é feita a extração da seiva da seringueira?

A extração é feita por meio de incisões na casca da seringueira, processo chamado de sangria. O látex é composto por hidrocarbonetos, incluindo porcentagens de proteínas, carboidratos e lipídios.

A remoção é feita por um pequeno corte na casca da árvore, em um corte inclinado a 30º, permitindo o escoamento da seiva, que desemboca em pequenas canecas fixadas no tronco da árvore. “O látex é coagulado muito rápido, e a fim de evitar isso, é preciso diluí-lo em uma solução de amônia.

Como o Sol também afeta a propriedade da seiva, o trabalho de sangria começa ainda bem cedo para não haver diminuição da produção. Uma seringueira pode produzir, em média, de 40 a 60 gramas de seiva por dia, chegando no máximo a 100 gramas, e sua extração pode ser feita por mais de 20 anos”, aponta a pesquisadora.

Depois de ter feito toda a extração e o processo de embalagem, vem a parte da comercialização. “Existem outras formas de comercialização do látex, apresentado também na forma coagulada, chamada também de sernambi, dentro de cumbucas.

Há também a comercialização do látex em forma líquida, entregue em latas tampadas, geralmente combinado com amoníaco para não coagular. Dependendo de qual produto será fabricado, é exigido o látex em estados físicos diferentes.

Em fábricas de pneus, por exemplo, são demandados os sarnambis. Já na fabricação de preservativos ou luvas cirúrgicas, é preciso o látex na forma líquida”, especificou a pesquisadora.

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